Saturday, April 28, 2007

 
A tua obra, meu caro poeta, não é breve,
nem necessita de ser aparada e retalhada.
Vou pedir à mais bela das mulheres para
que a recite em voz alta, essa terna e linda
mulher vai lê-la em público para que todos
os herdeiros se possam apresentar para a
cerimónia da partilha, um repetido clamor
ecoará nos céus para que os tempos voltem
a correr para o lugar da fonte: fluxo e
refluxo das marés, terás a presidência no
banquete para que os mananciais dos rios
se possam alargar. Não haverá feriado sobre
a terra, nem interrupção, nem descanso, nem
repouso, nem alívio, nada mais poderá andar
para trás, nem diminuir, nem afrouxar. A
humilhação será banida da face da terra e
o homem será cada vez mais homem, não
permitiremos que o templo seja profanado
nem que se verta impunemente o sangue dos
inocentes. Todos os cativos serão libertados.
Todos serão nomeados pelos seus nomes.
Ninguém mais morrerá de fome: a poesia
assentará arraial no coração de todos os
homens dos tempos por vir, as flores de
todos os jardins erguer-se-ão num hino
constante ao criador, tudo isto foi mandado
lavrar como sentença nos livros públicos
para que possa cumprir-se conforme previsto
nas escrituras...e no entanto, os fios e os
laços emaranharam todos os novelos, as
aranhas puderam continuar a construir
pacientemente as suas teias, nada mais
que um ténue sinal brilha ao longe, alguns
mais sábios falam de um cometa, tu talvez
pudesses conduzir a minha pobre mão...
a minha pobre mão...a minha pobre mão...

(J.A.R.)

Comments:
Olá, José!,

"todos serão chamados pelos seus nomes" e os bois pelos cornos. Que assim seja.
Um abraço
 
Tenho de me resignar e reduzir ao piedoso silêncio...
Não tenho palavras que cheguem!
Sobra-me, muito, o sentir.
Escuto! Quedo, arroubado!

Mais, ZR. Mande mais.

abraço
zl
 
ficamos assim sem fôlego e com vontade de mais, pois é Zé.
 
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